Violências / Nove formas
Ela nem sempre deixa marcas e quase nunca aparece sozinha. Conheça as nove formas mais frequentes, os sinais que ajudam a reconhecê-las e o que fazer em cada caso.
- Definições
- Sinais
- Direitos
- Ajuda
01 / O que é
“A violência não é uma, é múltipla.”
Maria Cecília de Souza Minayo, Violência e saúde, 2006
Definição
Força e poder
Uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.
Organização Mundial da Saúde, Relatório mundial sobre violência e saúde, 2002
A definição vai além da agressão física: inclui a ameaça, a violência contra si mesmo e o uso do poder, que aparece no controle, na intimidação e também na omissão de quem deveria cuidar.
Tipologia
Quem pratica, de que forma
A OMS organiza a violência em três grandes grupos, de acordo com quem a pratica: a autoprovocada, contra si mesmo; a interpessoal, que acontece na família, entre parceiros íntimos ou na comunidade; e a coletiva, praticada por grupos ou pelo Estado. Quanto à natureza, ela pode ser física, sexual, psicológica ou de privação e negligência.
No Brasil, a Lei Maria da Penha nomeia cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A ficha de notificação do SUS registra ainda a negligência, a tortura, o tráfico de pessoas, o trabalho infantil e a violência por intervenção legal.
Desigualdades
Quem é mais atingido
A violência não atinge todas as pessoas da mesma forma. Gênero, raça, idade, classe social, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero aumentam o risco e dificultam o acesso à proteção.
Mulheres, sobretudo mulheres negras, crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência e a população LGBTQIA+ estão entre os grupos mais expostos. Por isso a prevenção precisa olhar para essas desigualdades, e não só para cada caso isolado.
02 / As nove formas
Escolha uma forma de violência para ver os sinais, os direitos e os caminhos de ajuda.
- Violência físicaQuando o corpo é atingidoQualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde do corpo, deixe ou não marcas visíveis.
- Violência psicológicaA ferida que não apareceHumilhar, ameaçar, controlar e isolar para diminuir a autoestima e dominar as decisões de outra pessoa.
- Violência sexualSem consentimento, é violênciaQualquer ato sexual sem consentimento, obtido por força, ameaça, coação ou aproveitando-se de quem não pode consentir.
- Violência moralQuando a palavra fere a honraCalúnia, difamação e injúria: atacar a reputação e a dignidade de alguém com acusações, mentiras e ofensas.
- Violência patrimonialControle pelo dinheiro e pelos bensReter, destruir ou tomar documentos, objetos, dinheiro e bens para controlar e tirar a autonomia de alguém.
- Negligência e abandonoA ausência do cuidado devidoDeixar de oferecer os cuidados básicos a quem depende de outra pessoa: alimentação, higiene, saúde, proteção e afeto.
- Violência institucionalQuando quem deveria proteger fereA violência praticada por serviços e instituições, por ação ou omissão, inclusive quando revitimiza quem busca ajuda.
- Violência digitalA agressão que atravessa a telaPerseguir, expor, ameaçar e controlar por meio do celular, das redes sociais e da internet.
- Violência autoprovocadaQuando a dor se volta para siAutolesões, tentativas de suicídio e pensamentos de tirar a própria vida. Pedir ajuda é possível, e falar sobre isso salva vidas.
03 / Saúde
Por que a violência é uma questão de saúde.
Adoece e mata
Além das lesões e das mortes, a violência está ligada a dor crônica, depressão, ansiedade, uso de álcool e outras drogas, infecções sexualmente transmissíveis e gravidez não desejada.
Passa pelos serviços de saúde
Muitas vezes a primeira porta procurada é uma unidade de saúde. Uma equipe preparada reconhece a violência mesmo quando ela não é dita.
Gera dados para prevenir
A notificação das violências no Sinan mostra onde, como e contra quem elas acontecem e orienta as políticas de prevenção.
Pode ser prevenida
Em 1996, a Assembleia Mundial da Saúde reconheceu a violência como um problema de saúde pública. Prevenir é possível com informação, redes de cuidado e relações sem violência.








